A figura do pai

A Figura do Pai

Ser pai e ser mãe não implica apenas a paternidade e maternidade biológicas, mas demanda, também, sentimentos e atitudes de adoção que vem do desejo pelo filho. É muito mais que cuidados físicos e visíveis, fala-se, cada vez mais, de uma relação inconsciente, simbólica, que é permeada por aquilo que não é dito, mas sentido entre pais e filhos. Sabe-se que o vínculo entre a mãe e o bebê nos primeiros meses tende a ser bastante forte, tanto devido aos cuidados necessários quanto no nível inconsciente e sentimental. O bebê não consegue diferenciar o seu corpo do da mãe, é como se ainda tivessem presos por um cordão umbilical. Isso é muito confortável tanto para a mãe quanto para o bebê, é uma mistura de vários sentimentos, inclusive de proteção. Um se sente protegido pelo outro. É algo inexplicável. Com isso há uma tendência, a maioria das vezes inconsciente, que isso permaneça: o filho faz todo movimento para que a mãe fique presa a ele e essa, por sua vez, reforça uma dependência da criança para que ela, também, não a abandone.

A ruptura dessa relação simbiótica é uma feliz conquista para a estrutura familiar com a entrada do pai, mas, ao mesmo tempo, causa grandes sofrimentos para a mãe e a criança. A mãe fica ansiosa ao deixar seu filho aos cuidados de outra pessoa e o bebê, por sua vez, sente saudades quando percebe a ausência da mãe e irá usar de todos os recursos para que essa não distancie.

É nesse contexto que o pai entra. Aqui falo de um pai ou alguém que exerça a função paterna dentro da família (pode ser um tio, avô, namorado). Às vezes vemos pais presentes fisicamente que não conseguem fazer esse corte. Nos casos de pais separados ou ausentes, alguém precisa exercer a função simbólica de separação mãe-bebê.

O papel paterno consiste em cortar o vínculo narcisista da criança com a mãe. Ele exerce sobre o bebê uma atração para o mundo externo e acaba com a ilusão de que seu corpo/sua vida depende exclusivamente da mãe. Na psicologia fala que o pai representa as leis, regras sociais, limites, ou seja, apresenta para o filho o real da vida, em que a cada fase do seu desenvolvimento ele terá que lidar para construir o seu processo de autonomia e maturidade. Assim o pai tem grande importância na formação da personalidade da criança e, principalmente, nos aprendizados em lidar com as frustrações, perdas e tristezas ao longo da vida. Mostrar o outro lado da vida, que nem tudo é só prazer acontece quando o pai esta bem posicionado na família.

Contudo, todo esse processo deve, de alguma forma, ser facilitado pela mãe, que mesmo com todas as suas dificuldades, deve propiciar a entrada em cena do pai (ou de quem exerce a função paterna) que deve ser respeitado e valorizado por ela. Isso permitirá ao filho o reconhecimento de terceiros (favorece a vínculos amorosos saudáveis quando este estiver adulto) na sua vida e irá direcionar o desejo da mãe para além do filho, como trabalho, companheiro/marido, amigos e familiares.

Camila Ribeiro Lobato Psicóloga/Terapeuta Familiar Sistêmica Atendimentos Individual, de casal e familiar em BH e Carmo da Mata Contato: 31 999559637

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