A função erétil após a cirurgia do câncer de próstata


Desde a publicação da primeira prostatectomia radical com assistência robótica em 2001, a cirurgia robótica foi rapidamente adotada, principalmente nos EUA e Europa. Atualmente são cerca de 3 mil sistemas robóticos Da Vinci instalados em todo o mundo. O Brasil já conta com plataformas robóticas em vários centros, nas diferentes regiões do país.

“A pesquisa mostrou que 12 semanas após a cirurgia do câncer de próstata, os índices de disfunção erétil foram semelhantes quando se comparou a cirurgia convencional à cirurgia robótica.”

Estudos comparativos mostram que a cirurgia robótica tem um menor índice de complicações cirúrgicas, menor permanência hospitalar e um retorno mais rápido às atividades habituais quando confrontada com a cirurgia aberta ou laparoscópica sem assistência robótica. Mas o que dizer em relação à preservação da potência sexual?

Essa pergunta é bastante oportuna, tendo em vista que uma parcela não desprezível de pacientes com diagnóstico de câncer de próstata pode não precisar de tratamento imediato. Para eles pode ser oferecido o acompanhamento vigiado (vigilância ativa), que apresenta níveis mais elevados de preservação da qualidade de vida e obviamente da potência sexual quando comparados aos pacientes operados.

Os estudos científicos que comparam as taxas de preservação da ereção após a cirurgia de remoção radical da próstata disponíveis até o momento têm vários questionamentos metodológicos, principalmente por sua natureza retrospectiva e pelo risco de pré-seleção da amostra, e exigem, portanto, uma interpretação e análise criteriosa dos seus resultados e conclusões. Na maioria das publicações recentes, a cirurgia minimamente invasiva (robótica e laparoscópica) tem sido associada a uma recuperação mais rápida das ereções, como também a uma menor taxa de disfunção erétil no pós-operatório.

Resultados semelhantes

Vale destacar os resultados de um estudo desenvolvido na Austrália e metodologicamente bem estruturado, prospectivo e randomizado, que foi publicado recentemente numa revista médica de grande impacto (“The Lancet”). A pesquisa mostrou que 12 semanas após a cirurgia do câncer de próstata, os índices de disfunção erétil foram semelhantes quando se comparou a cirurgia convencional à cirurgia robótica.

Sabe-se que a potência sexual pode demorar dois ou mais anos para recuperar-se após a cirurgia radical da próstata, mas os resultados obtidos neste estudo merecem uma reflexão e estimulam uma discussão a partir das expectativas realísticas no que se refere aos índices pós-operatórios de potência.

Na última década houve um melhor conhecimento da anatomia e da distribuição dos nervos que participam da ereção (nervos cavernosos). Este fato, associado à ampliação visual e maior liberdade de movimentos obtidos com a cirurgia robótica possibilitam uma dissecção cirúrgica mais precisa e meticulosa, otimizando o que chamamos de “preservação dos feixes vásculo-nervosos”, sem comprometer a eficiência na remoção do câncer do paciente. Essa “preservação vásculo-nervosa” foi descrita na década de 80 e também pode ser realizada pela via cirúrgica convencional.

Os estudos publicados até o momento sobre este tema não permitem uma conclusão definitiva sobre a superioridade de uma técnica cirúrgica em relação à outra. Por fim, é preciso ressaltar que os estudos científicos publicados foram feitos em grandes centros e todos cirurgiões tinham grande experiência com as técnicas cirúrgicas utilizadas. O resultado pode depender mais do técnico (cirurgião), do que da técnica escolhida.


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